PODER do Self e PODER do Simples

Tempo de leitura: 11 minutos

PODER do Self

META e FOCO

O Duplo Dom: Poder do Self e Poder do Simples

Por Márcia Christovam

Considero Meta e Foco as “células-mater” em torno da quais o “corpo”, enquanto projeto de mudança, vai se construindo, sendo cada plano de ação uma materialização deste caminho que se abre para as transformações, desde as mais simples até as mais grandiosas. Por serem as “células-mater” de um processo de coaching, Meta e Foco seriam ao mesmo tempo a parte mais elementar a ser reconhecida e a definição mais importante a ser feita, pois, se bem elaborada e estruturada, toda a construção se sustentará. Mas, apesar de aparentemente simples, muitos coachees sentem dificuldade em reconhecer ou até mesmo em assumir suas Metas. E, por vezes, outros não conseguem focar em cada passo necessário para realizar suas almejadas mudanças.

Precisamos sempre ter clareza de nossas Metas e Focos, pois isso pode viabilizar o sucesso. Neste sentido, podemos até mesmo criar um “índice de oportunidade para o sucesso”, a ser medido através de dois indicadores: Meta e Foco. Para fazer sua autoanálise, proponho que você coloque em um papel, da forma mais descritiva possível sua(s) Metas(s) e seus Focos. Quanto mais isto for claro para você, quanto mais nítida em sua mente é a Meta e quanto mais específico forem os Focos, mais elevado será o índice de oportunidades de sucesso! Proponho como exercício:

 EXERCÍCIO:

 1)     Descreva sua Meta de forma clara e específica, situando-a no tempo (Quando atingirá seu objetivo? Quando terá concluído seu projeto? Defina ano, mês, dia e, se possível hora) e  no espaço (Onde este evento se dará? Onde estará quando isso acontecer? Que espaço físico está envolvido nesta sua conquista?). Descreva como se sente agora em relação a esta Meta, que sensações, percepções e emoções se apresentam para você neste momento ao desenhar em sua mente tudo isso. Projete-se mentalmente para o futuro e descreva o que irá sentir, pensar, ver e ouvir quando chegar lá neste momento e lugar desejados.

 2)     Descreva o que você precisa fazer hoje e que fará diferença em relação ao que quer alcançar. Agora, comece a detalhar o que precisa ser feito, que passos devem dar, que cuidados tomar, um momento após o outro: amanhã, na próxima semana e assim sucessivamente. Vá descrevendo os passos a serem dados em direção a esta Meta e as medidas pontuais necessárias para que a mudança desejada se efetive.

Poder do SelfEm minha experiência como coach, tenho entendido que faz muita diferença levar o coache a compreender não somente de forma racional, mas perceber de forma plena e profunda o significado e o poder da Meta e do Foco. Costumo usar a expressão “entender com as entranhas”, pois esta, sim, é a compreensão capaz de gerar mudanças significativas, duradouras e autossustentáveis! Por isto, neste artigo meu desejo é que você, caro leitor, chegue a tal percepção visceral de que estas duas “palavras-princípio” (Meta/Foco) estão atreladas a poderes especiais, intrínsecos ao ser, esperando para serem evocadas. Aqui eu os descrevo como: “Poder do Self” & “Poder do Simples”.

 A verdadeira força do seu humano não vem dos músculos, mas do seu interior, e sua força tem sua origem no mesmo espaço criador da vida e do sentido existencial: o “Self”. Dentro de cada um de nós há essa essência de onde expandem todas as nossas verdades, e de onde nossas construções mais audaciosas retiram a energia necessária para se materializar.

Em geral, vemos com um olhar muito superficial a obra humana e, ao percebermos a magnífica arquitetura, a grandiosa façanha realizada por alguém, admiramos a obra e o autor, sem considerar esta força motriz e, tampouco, sem entender que esta força que opera lá é a mesma que opera aqui dentro de mim! Por não reconhecer dentro de mim esta fonte original propulsora de toda energia criadora, olho para fora, para as imponentes realizações de alguém e corro o risco de me desprestigiar, pensando que tal feito é grandioso demais para que eu o possa aspirar, Penso não ter poder suficiente para “chegar lá”.

O interessante é que, em essência, somos todos iguais. Portanto, a força e o poder que o outro tem potencialmente estão aqui, como uma semente em mim. Meu Self é, em si, fonte de energia. Além disso, está conectado através do INCONSCIENTE COLETIVO, com toda a energia do universo que se fizer necessária para materializar o que minha mente propuser. Uma interessante e inegável forma de perceber esta energia operando é olhar para a construção das doenças psicossomáticas, onde a abrupta força interior ligada a um conteúdo de destrutividade é lançada para o corpo, gerando doenças físicas desde as mais simples, como uma psoríase ou uma gastrite nervosa, até as mais destruidoras, como um câncer ou doenças autoimunes, como o lúpus. Se esta força inegavelmente opera com tônica destrutiva, imagine o que ela pode fazer ao operar com uma tônica construtiva! Quando este alinhamento é feito adequadamente, temos uma Meta poderosa, e que tem em si o potencial de alavancar qualquer jornada.

Se pensarmos em termos de etapa, podemos afirmar que o primeiro passo é reconhecer que a força realizadora está em mim, faz parte da minha origem e me constitui como ser humano que sou. Minha essência é pura energia, dínamo, que pode operar nos dois polos: destrutivo construtivo, cabendo a mim reconhecê-la e escolher em que polaridade vou operar. Já que energia, uma vez gerada, não pode ser armazenada, deverá ser canalizada para o melhor uso, atribuindo ao indivíduo atuar conscientemente em relação a isto. Tal atuação consciente está na base da elaboração destes Metas poderosas que também podemos chamar de “Metas Nobres”.

Se todos comungamos uma mesma gênese e, portanto, somos dotados de um mesmo potencial, o que difere os que realizam os grandiosos feitos daqueles que apenas olham com admiração ou até mesmo com inveja, mas não saem do lugar?

Bem, na verdade muitas sãos as facetas e os elementos que poderiam ser analisados para o entendimento desta questão, mas aqui e agora quero pensar, ver e falar com a mente, o olhar e a fala do coach, embora a experiência e o conhecimento da psicologia me garantam a assertividade e a segurança teórica para as informações que fiz e farei! O que difere um ser humano do outro no momento de realizar, por incrível que pareça, é apenas o “detalhe”! E o detalhe que faz a diferença entre o grande feito e a inércia está no “primeiro passo” que escolho dar em direção ao meu objetivo! Voltando a um pensamento processual, podemos dizer que, se a primeira tarefa é reconhecer que a força e o poder de realizar estão em mim, a segunda tarefa é sair da imobilidade e me jogar para frente.

Poder do SelfEis um grande desafio: sair da inércia, pois, por mais desconfortável que o individuo se sinta aprisionado pela imobilidade, existe cera comodidade neste lugar, certo conformismo, e nossa mente está ontogeneticamente preparada para nos fazer evitar o desconhecido, a novidade. A mensagem cuidadora que vem de nosso interior é: “Cuidado, pode ser perigoso… Fique com o que é conhecido… Ruim assim, pode ser pior depois…” Este tipo de mensagem tem uma finalidade positiva que está ligada ao instinto de auto-preservação. Entretanto, gera como efeito colateral a imobilidade, o conformismo e a ausência de audácia!

 Quando um bebê inicia seu ensaio para o grande ato de “andar”, ele não se pergunta se é capaz ou não, ele simplesmente se levanta uma primeira vez e, mesmo caindo, continua se levantando e se lançando de forma desequilibrada para frente. Isto até que os ajustes necessários sejam feitos e os primeiros passam possam dar lugar a uma marcha firme e equilibrada, que logo se transformará em capacidade de correr, subir, pular, além de todas as variações propiciadas pelo potencial do equilíbrio e do domínio do corpo no espaço. Assim, não duvidando da energia e da capacidade interna, a criança se lança para a experiência. E, na ação de cada dia, pratica, treina, supera barreiras e alcança a maestria. Nós só somos capazes de nos mover de uma espaço para o outro porque não nos acovardamos no medo da queda.  Aqui, como em várias outras experiências de aprendizagem, a busca pela superação é o maior do que o instinto de auto-preservação!

Um dos motivos pelos quais o aprender e o romper barreiras são tão ricos no início da vida humana é que, para a criança, tudo é muito simples. Ela simplesmente faz, não fica interminavelmente planejando ou medindo minuciosamente e meticulosamente as possíveis consequências de cada passo a se dado em direção ao seu desejo.

Poder do SelfDe tantas habilidade desenvolvidas pelo ser humano ao longo de seu existência, uma delas é complicar o simples. Assim, meu apelo a mim mesma, todos os dias é o mesmo que faço a você agora: “Simplifique! Qual é o passo mais simples que você pode dar hoje em direção ao seu desejo?”

É interessante pensarmos na origem etimológica da palavra “SIMPLES”. Simples origina-se do latim “SIMPLEX”, “único, simples”, de uma base Indo-Europeia “SEM”, que é “um, único”, mais “PLICARE”, “dobrar: aquilo que foi dobrado apenas uma vez não apresenta complicações para ser aberto, seja física ou metaforicamente”.

 Muitos projetos são tão complexos, com ações que exigem tantos desdobramentos, que olhá-los gera um pensamento inevitável|: “É impossível alcançar!”. Mas o segredo não está em ter projetos simplistas (ou você acha que o “projeto andar” para um bebê que ainda nem engatinha é um projeto simplista?), mas, sim, em escolher ações simples, pequenas, despretensiosas, talvez uma pequena porção que até pareça insignificante diante do todo desejado. Um peque passo, mas na direção certa, já te deixa pelo menos um passo mais próximo de sua Meta!

 O Poder do Simples está expresso na sabedoria milenar através de Lao-Tsé, que disse: “Uma longa viagem de mil milhas inicia-se com o movimento de um pé” (em: A Regra Celestial – Século VII a.C.).

 Esta é a questão do Poder do Simples: como é simples, é possível, é possível de ser feito e, ao fazê-lo, você rompe com a mais forte de toas as barreiras: a inércia.

 Bem, ao final deste artigo, assumo uma “postura coah” e pergunto a você, caro leitor:

 01)   Você reconhece em si o PODER DO SELF, esta força poderosa capaz de lhe mover e promover? Consegue percebê-la atuando? Lembra-se das vezes que ela lhe compeliu a tomar alguma atitude e alçar voos dos quais não se percebia, a princípio, capaz? Se você reconhece esta força e está disposto a cumprir a missão para o qual seu SELF o convoca, então para você “O céu é o limite” (Miguel Cervantes – 1547 / 1616). Quem reconhece esta força propulsora, entende sua missão e encontra seu Meta Nobre!

 02)  Sabendo que sua Meta é audaciosa, você reconhece o caminho a ser percorrido para chegar lá? Entendendo que caminho é esse, consegue perceber o primeiro passo a ser dado? O que de mais simples pode ser feito hoje, talvez nas próximas horas ou quem sabe neste instante mesmo? Consegue colocar em prática, a partir de agora, o PODER DO SIMPLES para alavancar seus voos?

 Assim encerro minha reflexão desejando que você assuma este seu DUPLO DOM:

 – O “PODER DO SELF”, que é  dínamo criador das METAS e o propulsor das grandiosas transformações.

 – O “PODER DO SIMPLES” ‘, que te faz enxergar o FOCO, sair da inércia e abrir o caminho para que audaciosos feitos se concretizem!

 BOA SORTE EM SUA JORNADA!!!  Márcia Christovam

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